DA PRÉ-HISTÓRIA AOS NOSSOS DIAS.
MARCAS DE UMA FORMA DE VIDA.

O território correspondente à Naturconde evidencia uma história ancestral, onde a presença humana se fez sentir desde muito cedo. O homem do Paleolítico deixou aqui marcas de uma vida influenciada pelas excelentes condições naturais da região. O castro de S. Paio, o único castro marítimo da parte portuguesa do Noroeste Peninsular, é um bom exemplo da adaptação dos povos que aqui viveram à paisagem e aos meios de subsistência que ela oferecia.

A Naturconde apresenta um património natural diversificado, com espécies exclusivas da região, muitas delas com importância conservacionista. Mas também se observam aqui diversos afloramentos graníticos que nos transportam para um passado longínquo do planeta. A região hidrográfica do território faz parte do Maciço Ibérico (MI), uma zona geologicamente interessante, de confluência ou fronteira com outras.

A ocupação humana desta parte do Litoral Norte do país vem da Pré-história. São vários os locais com vestígios do homem paleolítico, que já tirava partido das condições naturais aqui existentes. É o caso do castro de São Paio, em Labruge, onde foram encontrados seixos talhados e picos do tipo asturiense, datados de 30 a 15.000 anos a.C. Na freguesia de Árvore, existem mais três sítios classificados do Endovélico: o povoado do Corgo, a Quinta da Faísca e a Quintã, a que se juntam sinais da romanização posterior.

A presença humana contribuiu fortemente para a valorização paisagística e cultural da área. A arquitetura revela uma grande variedade, com exemplos de cariz religioso, civil e militar. No conjunto, na área da Naturconde, deparamo-nos com 6 monumentos classificados como nacionais e 15 imóveis de interesse público, todos na freguesia de Azurara.

O património etnográfico reflete, por outro lado, os modos de vida tradicionais das populações. Abundam exemplos relacionados com a pesca, os barcos e a construção naval clássica. Podem ver-se igualmente seculares sistemas de cultivo agromarinhos, como os socalcos e as masseiras.

Os habitantes da área cultivavam campos de masseira enterrados na areia ou socalcos, protegidos do vento por muros de pedra. Produziam-se excelentes hortícolas através da exploração engenhosa das dunas. Hoje, ainda se assiste à apanha do “pilado” (caranguejo usado como fertilizante natural), que no passado teve um papel importante na economia local.

Quanto ao artesanato, o destaque vai para as minuciosas rendas de bilros, uma prática tradicional que vem já do século XVI, e para as lãs dos pescadores, com que se fazem camisolas, gorros, meias, e ainda luvas de um só dedo adaptadas às tarefas do mar.