Ocorrem aqui com regularidade 212 espécies da fauna de vertebrados, 56 das quais de conservação prioritária, distribuídas por 14 biótopos diferentes. Notável é ainda o facto de se encontrarem na área 82% das espécies de anfíbios registadas em Portugal. O enfoque vai naturalmente para alguns endemismos.

ENDEMISMOS IBÉRICOS

Tritão-de-ventre-laranja

Lissotriton boscai

Pequeno tritão de tamanho até 9 cm, com cabeça arredondada e olhos pequenos, proeminentes e laterais. Possui cauda muito achatada lateralmente, com crista reduzida ou ausente. As patas são finas, com 4 dedos nas da frente e 5 nas traseiras. A pele é lisa na fase aquática e rugosa na terrestre. Tem costas em tons que variam entre os castanhos, os verde-oliváceos e os amarelos, com manchas pretas. O ventre é tipicamente laranja, com manchas escuras redondas. As fêmeas são maiores e mais cilíndricas, e os machos mais delgados e com manchas escuras mais evidentes. Tem atividades terrestre, sobretudo à noite, e aquática (noturna ou diurna). Pode invernar ou estivar e acasala na água após um complexo comportamento de corte. Come pequenos invertebrados aquáticos. Vive em vários tipos de locais, como prados ou zonas agrícolas, em massas de água muito diversas, como rios ou poços.

Lagarto-de-água

Lacerta schreiberi

É um lagarto médio, robusto, que pode atingir 12,5 cm de corpo. Tem uma longa cauda que pode alcançar o dobro do tamanho do corpo. O dorso apresenta uma coloração variável, do esverdeado ou amarelado (com um ponteado negro relativamente denso e uniforme) até ao acastanhado com grandes manchas escuras. O ventre é amarelado, podendo ter na garganta durante a reprodução tonalidades azuis. Apresenta também dimorfismo sexual: machos menores, sempre com tons azuis na reprodução, e fêmeas com uma cauda maior e grandes manchas negras no dorso. É uma espécie ativa desde a primavera até ao outono, quando hiberna. Alimenta-se de moscas, mosquitos, escaravelhos e gafanhotos, bem como de frutos silvestres. Vive em zonas húmidas próximas de água, com coberto vegetal denso, e chega a atingir os 8 anos de idade. É uma espécie endémica da Península Ibérica, frequente a norte do Tejo.

Lagartixa-de-Bocage

Podarcis bocagei

Curiosa e pequena lagartixa, de corpo de forma cilíndrica, cabeça pequena e focinho convexo. Apresenta um padrão geral malhado, composto por manchas mais escuras sob um fundo esverdeado. Os machos são maiores que as fêmeas, apresentando tonalidades esverdeadas, por vezes mesmo verde-alface, no dorso. As fêmeas são acastanhadas no dorso, com listras dorsoventrais amarelas/esverdeadas. Acasala entre março e julho. A postura pode ir de 2 a 9 ovos, eclodindo após 2 a 3 meses. Espécie insetívora, alimenta-se principalmente de aranhas e escaravelhos, sendo por sua vez presa de cobras, sardões e algumas aves de rapina. É um endemismo do Noroeste da Península Ibérica, o que significa que apenas existe nesta região do planeta.

Rã-de-focinho-pontiagudo

Discoglossos galganoi

Espécie muito parecida com uma rã, mas trata-se na realidade de um sapo de tamanho médio, endémico da Península Ibérica. Vive nas imediações de massas de água, das quais depende para se reproduzir. Tem uma cabeça larga, focinho pontiagudo e olhos proeminentes, o que lhe dá um aspeto característico. Alimenta-se de insetos, aranhas e minhocas, podendo incluir ainda na sua alimentação juvenis da própria espécie. A sua observação pode revestir-se de alguma dificuldade, pois foge quando intimidada, ocultando-se na água ou entre a vegetação.

Rã-ibérica

Rana iberica

Esta pequena rã endémica – só ocorre na Península Ibérica – raramente ultrapassa os 5,5 cm. Apresenta coloração dorsal muito variável, predominando os tons acastanhados, alaranjados ou mesmo avermelhados. O macho não possui sacos vocais. O tímpano pode ser visualizado, apesar de ser de reduzidas dimensões. Possui membranas interdigitais bem desenvolvidas. A pele é lisa, com pequenos grânulos na região dorsal. Tem pregas cutâneas dorsolaterais paralelas e bem separadas entre si, que se estendem desde o olho até à parte posterior do corpo. Não possui sacos vocais nem glândulas parótidas. Possui uma mancha pós-ocular escura, característica, que diminui de largura até à parte posterior, e, debaixo desta, uma estreita banda esbranquiçada que se estende desde a parte de baixo do olho até ao ângulo da boca. Está ativa durante todo o dia e noite, ao longo de todo o ano, embora seja mais difícil de observar nos dias mais frios de inverno e durante os meses mais quentes de verão. Ocorre numa grande diversidade de altitudes, desde o nível do mar até aos 1.900 metros na Serra da Estrela. Alimenta-se essencialmente de pequenos invertebrados.

ENDEMISMO LUSITANO

Peixe Ruivaco

Achondrostoma oligolepis

Pequeno peixe, endémico de Portugal, ou seja, em todo o mundo só existe no nosso país. É, portanto, uma espécie com elevado interesse conservacionista. Vive normalmente nos setores terminais das bacias hidrográficas onde ocorre (Douro, Entre Douro e Vouga, Vouga, Mondego, Liz, Ribeiras do Oeste e Tejo), aparecendo geralmente em águas de pouca profundidade. É resistente à falta de oxigénio e reproduz-se entre abril/junho. A maioria dos indivíduos atinge a maturidade sexual no segundo ano de vida. Alimenta-se principalmente de invertebrados aquáticos. É ameaçado pela poluição da água, pela extração de inertes e destruição da vegetação ribeirinha, pela existência de barragens e açudes, e ainda pela presença de espécies exóticas de peixes.

AVIFAUNA

O valor ornitológico da Naturconde é incontestável, desempenhando um papel relevante na dinâmica migratória das aves que por aqui passam. Estas aves viajam do Norte da Europa para o continente africano para invernar (outono), deslocando-se no sentido inverso quando regressam aos territórios de nidificação (primavera). 

Encontram-se na área 145 espécies de aves, 34 das quais com estatuto de conservação “ameaçadas”, sendo também bastante elevado o número de espécies (92) abrangidas pela Convenção de Berna.

A maioria das espécies (117) é característica de habitats “terrestres” (floresta e zonas abertas), embora existam também muitas aves associadas à zona intermareal. Muitas destas espécies são limícolas, que utilizam o que resta desta zona dos estuários do Ave e do Onda e dos sapais adjacentes. As restantes espécies aparecem geralmente ligadas aos corredores ripícolas ou aos habitats estuarino e marinho.

Identificam-se no território, entre outras, três áreas consideradas de grande importância para a avifauna: os estuários dos rios Ave e Onda, as respetivas zonas adjacentes de praia e sapal, e a área original da ROM (coração da área protegida).

Peneireiro ou Peneireiro-vulgar

Falco tinnunculus

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É uma pequena ave de rapina presente o ano inteiro em quase todos os tipos de habitats, desde campos abertos, planícies e campos agrícolas até zonas húmidas e pantanosas. O macho e a fêmea distinguem-se pela plumagem, que com paciência se aprende a reconhecer. O macho é castanho-avermelhado, com pintas pretas no dorso e na parte de cima das asas. Tem a cabeça, a parte de cima da cauda e o uropígio acinzentados. A fêmea tem o dorso e a parte de cima das asas de cor castanho quente. A cabeça é acastanhada, com riscos, e a parte de cima da cauda e o uropígio são castanhos, com listras pretas finas. É vista muitas vezes a peneirar, parecendo parada em pleno voo, com a cauda aberta em leque. Faz o ninho de abril a junho em árvores, usando ninhos velhos de corvos e gralhas, ou buracos de edifícios. Alimenta-se de insetos, crias de aves e pequenos ratos.

Borrelho-de-coleira-interrompida

Falco tinnunculus

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Esta espécie é uma limícola de pequenas dimensões, presente todo o ano na área. Quando tem ninho, mal sente o perigo faz-se de ferida. Arrasta então a asa, atraindo o predador para si e afastando-o do ninho. Tem também o hábito de alternar alguns passos rápidos com pequenas paragens para “observação”. É uma ave acastanhada por cima e branca por baixo. Tem uma coleira escura incompleta, que permite distingui-la com facilidade das outras espécies de borrelhos. Ocorre quase sempre nas praias e dunas, onde constrói o ninho. Como este é facilmente camuflável, devemos ter particular cuidado para não o destruirmos acidentalmente.

Guincho ou Guincho-comum

Larus ridibundus

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O guincho é uma gaivota bastante comum, mas migradora invernante, que nidifica ocasionalmente no nosso país. Identifica-se com alguma facilidade: tem tamanho médio, patas e bico vermelhos, e na época da reprodução adquire uma plumagem preta na cabeça. Fora deste período, o capuz preto do adulto desaparece e fica limitado a uma mancha escura atrás dos olhos. Come pequenos peixes, insetos, minhocas, moluscos e desperdícios. Se olhar bem, verá que, quando se alimenta na areia molhada, agita as patas para obrigar os pequenos seres que ali vivem a saírem das suas tocas e apanha-os. É comum na orla costeira, em zonas húmidas e de água livre ou em terrenos alagados e recém-lavrados.

Alvéola-branca

Motacilla alba

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Ave muito elegante e delgada. Presente todo o ano, vive em diversos tipos de habitats, incluindo zonas urbanas. Possui plumagem de tons pretos, brancos e cinzentos. É comum de se observar a correr a grande velocidade no solo, geralmente em jardins ou campos abertos, enquanto persegue os insetos de que se alimenta. Pode, durante o inverno, dada a escassez de alimentos, estar junto dos rebanhos e dos agricultores, caminhando no chão em busca dos poucos insetos atraídos pelos animais. Devido a este comportamento, em alguns locais é chamada de “pastorinha. Ao andar, abana repetidamente a cauda para cima e para baixo e possui um voo muito ondulado, duas características que, em conjunto com as suas cores, a permitem identifica facilmente.

Cartaxo ou Cartaxo-comum

Saxicola rubicola

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Trata-se de uma espécie residente, comum em zonas de matos, campos agrícolas e dunas, muito fácil de observar devido ao hábito de se empoleirar no cimo dos arbustos e não ser tímida. O macho tem a cabeça totalmente preta, com uma grande mancha branca nos lados do pescoço (colar), e peito laranja; a fêmea tem cabeça parda. O ninho é construído pela fêmea, sempre junto ao solo, perto dos poleiros habituais do macho. Põe os ovos em meados de março, chocados pela fêmea, que é alimentada pelo macho. Come insetos e o seu grito de alarme é um som seco que lembra duas pedras a baterem.

Pintassilgo

Carduelis carduelis

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É das mais conhecidas e apreciadas espécies de aves, graças ao seu magnífico canto. Tem uma plumagem colorida e cabeça preta e branca, para além de uma máscara vermelha na face e de uma garrida barra amarela nas asas. Não tem dimorfismo sexual visível. Na época fria alimenta-se em bandos. Habita em plantações agrícolas e florestais, vilas, parques e jardins, mesmo urbanos. Come sementes de cardos, de dentes-de-leão e de árvores, bem como afídeos (pulgões). É residente e faz o seu ninho em árvores, de maio a agosto. Põe 4 a 6 ovos, incubados cerca de 13 dias. Faz, normalmente, duas posturas em cada ano. É a principal vítima dos passarinheiros e das capturas ilegais, pelo que nunca o devemos pôr numa gaiola. Nem adquirir, igualmente, espécimes com esse fim. É mais divertido capturá-los com uma máquina fotográfica em imagens únicas.

Águia-d’asa-redonda ou Bútio-comum

Buteo búteo

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Trata-se da ave de rapina mais comum no país e na Naturconde. É uma ave de tamanho médio, com plumagem de coloração muito variável, desde o quase branco até ao castanho-escuro. Usa as correntes térmicas para poupar esforço durante o voo, mantendo as penas das pontas das asas viradas para cima como se fossem “dedos” esticados. Pousa em pontos pouco elevados, como cercas, árvores secas ou montes de terra, de onde avista as suas presas antes de se lançar sobre elas. Estas são normalmente roedores, pequenas aves e répteis. É residente, ou seja, podemos vê-la todo o ano. Nidifica essencialmente em árvores entre abril e julho, pondo dois a três ovos. Habita em todos os tipos de florestas e zonas envolventes.

Rola-brava

Streptopelia turtur

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Esta espécie estival e migradora de passagem é a mais pequena rola da Europa, fácil de distinguir pelas riscas pretas e brancas nos lados do pescoço, e pelas penas das asas pretas no centro, com extremidades ruivas. É uma ave muito tímida e discreta que constrói o seu ninho em árvores, onde coloca dois ovos entre maio e agosto. Normalmente, faz duas posturas por ano. Alimenta-se de sementes e partes verdes de plantas. É ainda uma espécie cinegética, embora a sua população tenha decrescido muito. Importa, por isso, preservá-la, ainda mais porque a Naturconde é o território onde já foram capturadas e anilhadas mais rolas na Europa.

Coruja-do-mato

Strix aluco

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Misteriosa e bela ave de rapina noturna, residente em Portugal, que se pode observar todo o ano. Possui grandes olhos pretos e plumagem, que varia entre o castanho-avermelhado e o cinzento, com manchas pretas. Sendo uma espécie de hábitos noturnos, pode ser vista e ouvida ao entardecer e durante a noite, embora por vezes, se for assustada do seu poiso, possa movimentar-se em plena luz do dia. Vive em florestas abertas, florestas mistas e parques, e mesmo dentro das cidades. As suas presas são pequenos mamíferos, como ratos, pequenas aves e rãs. Faz ninho em buracos nas árvores ou nos muros, onde põe dois a cinco ovos, incubados durante cerca de um mês, e pode ocorrer entre fevereiro e junho.

Pisco-de-peito-ruivo

Erithacus rubecula

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Pequeno e simpático passeriforme, facilmente identificado pela sua muito visível mancha alaranjada no peito. É um alegre companheiro no campo durante os frios dias de inverno, com o seu canto persistente e melodioso. Anda muitas vezes no chão a alimentar-se de insetos e aranhas no verão. No outono e no inverno come também, ou exclusivamente, bagas e frutos. Pode ver-se em quase todos os tipos de habitat com vegetação arbustiva ou arbórea. Faz o ninho em buracos no solo, muros ou até em casas abandonadas, entre abril e junho, embora existam registos de nidificação em pleno inverno. A fêmea canta de modo muito semelhante ao macho durante o inverno, sendo uma das poucas espécies onde isto se verifica.

Gaio

Garrulus glandarius

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Ave de tamanho considerável dentro dos passeriformes, é uma espécie residente e inconfundível graças à sua atrativa plumagem castanho-acinzentada e rosada. Tem a garganta e o abdómen claros e um garrido painel azul com riscas pretas na parte superior da dobra das asas. Em voo sobressai naturalmente o seu uropígio branco. O seu grito de alarme é alto, intenso e rouco, servindo também de aviso. Faz o ninho nas árvores, em vários tipos de bosques e grandes parques arborizados. É omnívoro, alimentando-se um pouco de tudo, ingerindo no verão crias e ovos de outras aves. No outono, armazena sementes e frutos, como por exemplo bolotas, para se alimentar no inverno. Cauteloso e tímido, não facilita a aproximação.

Pardal ou Pardal-comum

Passer domesticus

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É, sem dúvida, uma das espécies mais abundantes e comuns nas áreas urbanas, em quase todos os locais habitados pelo Homem. É residente, avistando-se todo o ano. Nidifica em cavidades situadas em estruturas humanas, como quintas, cidades e vilas. Faz uma postura de três a seis ovos, entre abril e agosto, conseguindo criar até 4 ninhadas por ano. Muitas vezes é colonial. É muito sociável e aproxima-se facilmente das pessoas. Alimenta-se de sementes, bagas, insetos e rebentos. Tem dimorfismo sexual visível: o macho apresenta um babete preto e coroa cinzenta, e a fêmea tem toda a plumagem em tons pardos. As suas populações estão a diminuir por toda a Europa de modo acentuado, devido ao abandono da agricultura tradicional e aos novos métodos de construção das casas, que impedem a alimentação e a construção dos ninhos.

OUTROS VERTEBRADOS

A inúmera variedade de habitats favorece a presença de muitas espécies de anfíbios e répteis – chamadas de herpetofauna. No caso dos anfíbios, esta diversidade é extraordinária, já que 14 das 17 espécies identificadas no nosso país encontram-se aqui.

As principais atenções vão para o tritão-de-ventre-laranja, para o tritão-palmado e ainda para as populações costeiras, mais a norte, de sapinhos-de-verrugas-verdes, sapos-de-unha-negra e salamandras-de-costelas-salientes, tendo aqui algumas destas espécies o seu limite de distribuição norte ou noroeste.

São 9 as espécies de répteis atualmente identificadas na área. A cobra-lisa-austríaca e a víbora-cornuda são as que mais se destacam, já que se encontram ameaçadas e têm uma distribuição fragmentada a nível nacional. A área envolvente do castro de São Paio é uma das zonas importantes para este grupo.

A configuração da paisagem, onde culturas extensivas coexistem com parcelas de vegetação, propicia refúgio, alimento e local de reprodução para várias espécies de mamíferos. Encontram-se na Naturconde 18 espécies de mamíferos, pertencentes a 10 famílias e 7 ordens distintas. Por estarem protegidas pela Convenção de Berna, 10 espécies assumem maior relevo:

  • Ouriço-cacheiro Erinaceus europeus
  • Morcego-anão Pipistrellus pipistrellus
  • Morcego-hortelão Eptesicus serotinus
  • Morcegos dos géneros Nictalus spp. e Plecotus spp.
  • Esquilo-vermelho Sciurus vulgaris
  • Musaranho-anão-de-dentes-vermelhos Sorex minutus
  • Musaranho-de-dentes-brancos-grande Crocidura russula
  • Rato-dos-prados-mediterrânico Microtus duodecimcostatus
  • Doninha Mustela nivalis
  • Coelho-bravo Oryctolagus cuniculus

Assinale-se ainda a ocorrência do coelho-bravo, espécie que se encontra em declínio em Portugal e praticamente ausente no Litoral Norte. O esquilo-vermelho, que esteve quase extinto no país, encontra-se atualmente em expansão, sendo Mindelo provavelmente o limite meridional da sua distribuição litoral.

INVERTEBRADOS

A fauna de invertebrados é bastante heterogénea, com singularidades dependentes da extensão e estado de conservação dos biótopos presentes. A praia e o meio dunar incluem as espécies mais especializadas, sendo algumas raras e estritamente litorais, como a traça Brithys crini e o escaravelho Neoisocerus ferrugineus.

As manchas florestais com espécies autóctones contribuem para o aumento da diversidade, o mesmo acontecendo com as zonas agrícolas exploradas com métodos tradicionais. Encontram-se aí espécies interessantes, como o grilo Trigonidium cincideloides que tem na ROM a única área de ocorrência conhecida no Noroeste de Portugal Continental e a única no litoral a norte do rio Sado.

O conjunto de invertebrados já identificados na área compreende 451 espécies, muitas das quais novas no território e no país. As borboletas e as traças são o grupo melhor representado, com 291 espécies recenseadas. Em relação aos restantes grupos, foram contabilizadas 160 espécies repartidas entre caracóis, libélulas, percevejos, joaninhas e pirilampos.